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Arquivo do autor: %s Joao Massena

Eutanásia, Movimento #simvida e igreja ARRASAM liberdade individual

Julgo que se te perguntar directamente se tu és dono da tua vida e decides o que fazer com ela, para o bem e para o mal, tendo tu a capacidade de reconhecer as consequências desses actos, dirás que tu mandas em ti.

Este é o princípio básico da liberdade individual que é unicamente limitável quando o individuo não reconhece, por qualquer tipo de incapacidade, as consequências dos seus actos ou quando a acção compromete a liberdade de terceiros ou o normal funcionamento da sociedade. 

Ora dito isto, estou certo de que se assumes ser o titular das decisões da tua vida, deves estar contra qualquer tipo de imposição externa no que toca à tua vida íntima.

A partir desta premissa poderia desmultiplicar-me por diversos temas que são fracturantes, mas não deveriam ser. Foco-me apenas na questão da eutanásia e/ou morte medicamente assistida.

Volto a este tema porque um determinado grupo designado por #simvida decidiu criar uma petição com o intuito de se avançar para um referendo com a seguinte questão:

“Concorda que matar outra pessoa a seu pedido ou ajudá-la a suicidar-se deve continuar a ser punível pela lei penal em quaisquer circunstâncias?”

Julgo que todos conhecemos alguém, ou fomos donos de um animal de estimação a quem, por dó, pelo fim da agonia do animal, o levamos até ao veterinário, para que este desse por findada a sua vida. Nunca vi ninguém, nem mesmo o PAN, a questionar este tipo de comportamento. Sabemos por defeito que o animal já é apenas sofrimento e sofremos por o ver a sofrer.

No entanto, por qualquer motivo menos claro, não nos regemos pelos mesmos valores quando nos referimos aos nossos semelhantes. Não lhes concedemos empatia, interferimos na sua vida íntima nem que seja pela força da legislação, não temos consideração nem pela sua vontade nem pelo seu sofrimento.

Este grupo de pessoas que forma o tal #simvida distorce o debate usando palavras que são desajustadas à ocasião a começar pela sua própria designação. Quem defende a eutanásia e a morte medidamente assistida, não o faz como opcional de resolução de problemas resolúveis.

Não está na mesa o sujeito que se divorcia, perde o emprego, acumula dividas e tem como solução a morte. A designação falha porque falamos da eutanásia como acto de abreviar um desfecho já conhecido. O sujeito sabe que vai morrer, sabe o que vai sofrer e a dignidade que irá perder até lá. Está no corredor da morte, como doente terminal e não quer sofrer mais.

Portanto, não há “Sim Vida”, antes “Sim Sofrimento”.

Este grupo não está sozinho e a estes, juntou-se a voz católica, a voz da igreja, esse bastião da moral. Os mesmos que ao longo de séculos mandaram matar tudo o que não seguia o mesmo manual de instruções, fossem eles muçulmanos, índios, tribos africanas… por cá a “santa” inquisição que mandou matar todos os que fossem diferentes com direito a tortura até que fosse reposta a “verdade” conveniente. E que não se julgue que é uma igreja de um passado distante já que esta sempre andou de braço dado com fascistas e salazarentos. Ainda hoje não se resolve quanto às questões relacionadas com pedofilia e só deixou de decidir quem vive e quem morre porque neste nosso lado do mundo, optamos por instituir repúblicas e democracias afastando o vaticano das decisões do povo, em última instância, da interferência e castração da liberdade.

É interessante que a Constituição da República Portuguesa foi pensada precisamente para nos proteger de poderes obscuros do passado, no entanto, estes agarram-se ao artigo onde consta que “a vida humana e a integridade moral e física das pessoas são invioláveis” para sustentar a sua argumentação. Ora este artigo pretende defender o individuo de terceiros, designadamente poderes políticos e religiosos e não como uma protecção do individuo per si.

A CRP não é nenhum versículo bíblico e a vida é um bem individual e intransmissível e nem indivíduos nem grupos mais ou menos organizados podem decidir sobre o que é íntimo.

Berardo, um sintoma de um sistema doente

Um sujeito espirra com convicção. O sujeito espirra, mas o espirro não é doença. O espirro é sintoma e compete ao técnico de saúde desvendar qual a doença que provoca o espirro.

Berardo é um espirro social tal como foi José Sócrates, Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Durão Barroso, Jorge Coelho, Durão Barroso….

Uns porque foram alegadamente acusados de ilegalidades, outros, acusados, alegadamente, de abusarem da sua posição para atos eticamente reprováveis, mas são todos sintomas.

As Comissões Parlamentares são hoje Júlios Isidros da política. Repare-se que quem lá vai, tem memória curta, orientada por advogados, chegam sem património e saem como entraram. Já os deputados que integram a Comissão Parlamentar correm sérios riscos de sair dali novas pop stars políticas.

Só que estas pop stars políticas não resolvem a doença. São como aqueles médicos que medicam para ocultar o sintoma:

“Tem tosse? Leva daqui um antibiótico muito bom, toma de 12 em 12 horas até ao fim, leva daqui um anti-histamínico que nesta altura do ano, já se sabe, toma depois de jantar para evitar a sonolência durante o dia. Leva aqui um bisolvon para essa expetoração e um panadol para tomar de 8 em 8 horas enquanto durarem os sintomas…”.

Pode ser que a coisa passe por si…

Só que não. Não passa por si porque não interessa que passe, pelo menos até que o Zé Povinho continue a pagar a conta.

As gargalhadas de Berardo são a expressão clara que ele sabe que tem um sistema blindado e nada de especial lhe irá acontecer.

Tal como Berardo, Ricardo Salgado também era um pobre coitado a quem chamavam de “dono disto tudo”. Em ambos os casos, existe um encadeamento de empresas donas de empresas, sem dono definido, em que os bens são de ninguém, as dívidas são de todos nós. A carne vende-se ao próximo tubarão, os ossos vão para o povo.

A doença qual é afinal?

São várias, são doenças oportunistas que se aproveitam de um sistema democrático debilitado pela passividade popular e pelo desinteresse do cidadão, que permite aos eleitos funcionarem em função de quem os pressiona e lhes proporciona um futuro auspicioso, mesmo que há custa de quem os elege.

Atrás desta doença, a doença da desregulação da banca, que permite por exemplo o que aconteceu no BES onde pessoas pensavam que estavam a fazer um investimento seguro e acabaram como “Lesados do BES”.

Doenças como os buracos da legislação que permitem que invariavelmente as provas não sejam provas e os culpados, desde que de colarinho branco, voltam sempre a casa com uma leve reprimenda e uma semana de achincalhamento nas redes sociais.

De resto, tudo é perdoado porque o contribuinte paga.

O pobre, que rouba uma carcaça, terá de enfrentar o Senhor Doutor Juiz e terá uma condenação exemplar. Essas pestes grisalhas e subsídio-dependentes incapazes de pedir um financiamento pornográfico com base em coisa nenhuma. Onde já se viu roubar uma carcaça…

E cá seguimos nós, o povo, a reclamar dos sintomas porque não praticamos medicina preventiva em nós próprios. Tomamos uns placebos em forma de abstenção, uns medicamentos que diminuem a frustração através de reclamações nas redes sociais, e muito contentes ficamos quando uma Comissão Parlamentar diz que vai ocultar um sintoma.

Nós somos os causadores da doença e somos a cura da doença bastando para isso fazer o que nos compete: votar e fiscalizar os que foram eleitos a bem da transparência, a bem de todos nós.

A esta medicina preventiva chamam-lhe de cidadania ativa.