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Que retiramos desta lição, que futuro nos darão?

Photo by Markus Spiske from Pexels

Ao fim de mais de 100 anos ninguém estava preparado para uma pandemia. Até ver, a letalidade não ameaça a sobrevivência da espécie, longe disso. Ao dia de hoje, algures entre 4 e 5 meses do paciente zero, o número total de mortos pouco passa dos 200 mil.

Podemos dizer que 200 000 é muita gente, mas numa escala 7 781 000 000 de habitantes no planeta, não ameaça a nossa existência. Como referência, para o dia de hoje nasceram 380 mil novos cidadãos do mundo face a 159 mil mortos o que quer dizer que nascem mais do dobro dos que morrem, mesmo a meio de uma pandemia.

Descobrimos que nenhum país do mundo tem equipamento médico suficiente para atender a sua população, nem enfermeiros, nem médicos, nem hospitais, nem medidas de contingência, nem economia que resista um mês sem operar.

Se o SNS e os SNS’s do mundo estivessem preparados, não teríamos um Estado de Emergência, apenas condicionaríamos a liberdade de movimentos aos que pelas razões conhecidas são mais frágeis a este vírus enquanto os restantes, passariam pelo vírus como com qualquer outro vírus, daqueles que vamos ao médico e ele nos responde “é uma virose que anda para ai…”.

Descobrimos que há políticos e políticos, uns que não disfarçam a sua incompetência, outros que não disfarçam a sua ideologia, outros que não disfarçam que servem os cifrões e as pessoas são meros instrumentos e outros que se destacam positivamente a meio da adversidade mesmo quando menos se esperava.

Mas há outras coisas que tenho descoberto e até gostaria de ter acesso a mais dados para perceber a cadeia de riqueza.

Quando a pandemia chegou a Portugal e se começou a perceber que não era mito urbano, foi anunciado que os testes custariam entre 100 e 200€.

Não passou muito tempo para que as noticias nos informavam que por terras lusas se procuravam novos reagentes para que o teste tivesse um custo de 30€ e noticia mais recente indica-nos precisamente isso.

Recorro agora ao poligrafo porque me poupa uma quantidade imensa de números, mas resumindo, quando começou a pandemia e se começaram a contas espingardas que para o efeito serão ventiladores, o preço avançado foi entre os 10 mil e os 20 mil euros por unidade. Nesta mesma verificação de veracidade pelo poligrafo é dito categoricamente que é mentira que um ventilador custe 3500€ e eu acredito que não exista nada à venda por esse preço, no entanto, a Marinha Portuguesa tem um protótipo com o custo de 1500 euros. Assumo que seja preço de custo sem margens de lucro necessárias para manter uma empresa privada em funcionamento, mas mesmo que fosse de 100%, custaria 3000 euros.

Isto são apenas dois exemplos apanhados pelo meio de uma pandemia que levantam duas questões:

Em ambos os exemplos apresentados, as soluções foram nacionais e criadas em menos de um trimestre.

Pergunta: porque compramos tanto produto internacional se afinal podemos produzir por cá?

Em ambos os casos, os valores propostos são francamente inferiores aos praticados em mercados a que recorremos porque alegadamente são mais baratos por força de uma mão-de-obra exploratória.

Pergunta: Porque andamos a pagar aos chineses se afinal, produzir por cá, é mais barato, mesmo pagando salários mais elevados, mesmo com impostos do mais elitista que há pelo mundo?

Como diria o Prof. Dimas de Almeida, uma crise é uma oportunidade e esta é o momento histórico mais revelador das últimas décadas.

É oportunidade de a União Europeia demonstrar se é uma união ou um grupo de interesses económicos e individuais em que o todo não é igual à soma das partes.

É oportunidade de compreender que o tecido social, nomeadamente educação e saúde, afinal estão muito aquém do necessário e que uma solução privada NUNCA dará resposta adequada à rés pública porque compromete fortemente a sua natureza de gerar lucro.

É oportunidade de compreender que dependemos em quase tudo de terceiros e se essa lição ficar aprendida, a primeira coisa a fazer é precisamente engrossar o tecido industrial, apostado numa indústria de futuro com foco tanto no mercado interno como nas exportações.

Apesar da baixa mortalidade, facto é que o mundo foi colocado em standby ainda por tempo indeterminado. Não sabemos quando passará, se teremos nova vaga, se os que contraíram o vírus são imunes para sempre ou apenas para uma temporada.

Sabemos que a humanidade não sentia um safanão desde o fim da 2ª Guerra Mundial e talvez seja um toque de despertador para mudar comportamentos individuais e colectivos.

Veremos o que aprende quem está no poder, quem escolhe quem está no poder, e o que aprendemos nós como indivíduos.

admin

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